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sábado, 28 de maio de 2016

Evangélicos: fazemos parte da cultura de estupro?


O escandaloso estupro coletivo que ocorreu no Rio esta semana dominou os nossos noticiários de televisão e nossa mídia social, tornando-se num assunto de virulência e debate polêmico ao longo da nossa sociedade. 

Esta reação revela as profundas fissuras que dividem a nossa cultura política, econômica, ideológica, e, sobretudo, religiosa. Isso não quer dizer que o país simplesmente foi dividido em dois em sua reação ao evento, nem que estar de um lado particular nos torna em cristãos. Mas a nossa fé sim será exibida na nossa reação. Devemos ter cuidado, se reagirmos, para nos mostrarmos acima de tudo como cidadãos do Reino dos Céus.

Histórias estão começando a circular nas redes sociais sobre a duvidosa vida moral da vítima, mostrando fotos dela fazendo pose de bandido armado, ou mostrando alguma "prova" de que tinha sido o plano da jovem ter relações sexuais com alguns ou muitos dos bandidos. Estes posts sugeriam que talvez ela merecesse um pouco do que aconteceu com ela.

Esta atitude mostra uma espantosa falta de misericórdia e bondade que é ainda pior se sai da boca daqueles que afirmam que Deus foi misericordiosamente bondoso para com eles.

Para os cristãos que são tentados a andar por este caminho, e os que querem defender contra esse tipo de pensamento, eu digo que pode nos fazer bem considerar o que é mesmo o estupro, e recalibrar as nossas definições para que correspondam aos da Bíblia, e não as do governo ou da sociedade.

O que é o estupro? Onde termina o sexo e começa a violência? Existe uma cultura do estupro neste país? E se reconhecemos que o estupro é um mal, devemos tentar educar e reabilitar os estupradores, ou devemos quimicamente castrá-los?

Eis a absolutamente ridícula e completamente bíblica solução: sempre que um homem tiver relações sexuais com uma mulher que não seja sua esposa, ele será culpado de estupro. Talvez haveria uma escala móvel, com agressão simples de um lado e homicídio do outro, mas a maioria da escala seria apenas "estupro".

É isso aí. Simples. E ridículo ao mundo.

Faça sexo com uma mulher solteira que não é sua esposa, é estupro. Ela foi subjugada pela violência? Estupro. Você será executado pelo Estado. Ela foi dominada por meio de drogas ou álcool? Estupro. Você será executado pelo Estado. Ela foi manipulada/seduzida por meio de drogas ou álcool? Estupro. Você será executado, ou talvez haja algum equivalente ao homicídio involuntário para o estupro, onde você possa servir seu tempo na cadeia e pagar a ela e sua família uma compensação caríssima.

E se esta mulher solteira estava completamente disposta a ser seduzida? Fica na categoria de estupro. Porque ela estava disposta, você não será executado, mas você pagará uma compensação à família e a jovem, e terá que casar-se com ela e cuidar dela e de seus filhos para o resto da sua vida, se ela assim o desejar.

Esta, em poucas palavras, é a ideia revolucionária para nos livrar do estupro como problema sistêmico, e não é a ideologia de gênero: todo sexo com uma mulher solteira é estupro. Essa idéia vem da Bíblia. Às vezes é um assassinato-estupro, pelo qual será executado pelo Estado, às vezes é seqüestro-estupro,  pelo qual será executado, e às é furto-estupro, pelo qual a mulher pode decidir sua sentença entre várias opções, dependendo se ela ficou machucada ou não, ou se ela gosta ou não de você.

Vamos deixar isso muito claro. Esqueçamo-nos completamente de como atualmente definimos o estupro. Se tiver relações sexuais com uma mulher solteira, qualquer mulher solteira, ela pode decidir se você deve se casar com ela ou não. Isso meio que muda o "jogo", não é?

Ah, só mais uma coisa, quase que me esqueci. Só deixo aqui. Neste mundo imaginário que estamos construindo você seria executado por adultério.

Antigamente a palavra "sedução" referia-se ao rapto (de onde vem a palavra inglesa rape) e ao engano. Hoje em dia é uma palavra de brincadeira, uma brincadeira em que fingimos que os homens e as mulheres estão se divertindo igualmente, e que têm o mesmo valor em jogo. Mas a sedução é um mal, é um furto do que Deus destina para um outro, em outro lugar. Se esse nível básico de sedução resultasse em poder para a mulher e a família, e o que chamamos de estupro hoje resultasse na morte, poucos subiríamos os níveis de sedução e agressão sexual para chegar ao tipo de violência que vimos esta semana.

Estou longe de minimizar o horror do que aconteceu no Rio. Uma sedução de motel é muito diferente da violência e do mal do qual quase não se consegue falar.

Mas não se deixe enganar, cristão. Se uma cultura do estupro existe neste país, não é principalmente por causa do MEC ou porque não punimos bandidos com severidade suficiente. É porque nós somos um país de sedutores e adúlteros. E isso inclui nós os cristãos.

Um país de motéis não pode respeitar as mulheres. Um país de sedução não respeita as mulheres. Um país de sedução é um país de estupro.

Alguns vão me perguntar sobre a responsabilidade e os desejos da mulher. Provérbios tem muito a dizer sobre as mulheres sedutoras, e não é o único lugar na Bíblia que o faz. Nada do que eu disse nega a agência moral da mulher. Ele simplesmente reforça a responsabilidade do homem, e nos lembra que quando os cabeças de cultura tornam-se devoradores, a sociedade é destruída.

O que eu delineei óbvio não é idéia minha, como você deve ter reconhecido. É a lei de Deus pelo seu povo como dado em Deuteronômio 22. Segundo versos 28 e 29:

Quando um homem achar uma moça virgem, que não for desposada, e pegar nela, e se deitar com ela, e forem apanhados, então, o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata; e, porquanto a humilhou, lhe será por mulher; não a poderá despedir em todos os seus dias. 

Esta passagem é frequentemente citada pelos incrédulos que tentam convencer outros que a Bíblia desculpa a violação e o estupro. Na realidade, ela tem uma definição inteiramente diferente de estupro do que o nosso. O que nós modernos consideramos estupro é punido com a morte em alguns paises. O que consideramos sedução também é chamado de estupro. O furto-estupro, ou sedução, é aquele em que a menina e seu pai poderiam decidir se o "estuprador" se casaria com ela ou simplesmente pagaria uma enorme multa.

E não nos esqueçamos dos versos precedentes:

Quando um homem for achado deitado com mulher casada com marido, então, ambos morrerão, o homem que se deitou com a mulher e a mulher; assim, tirarás o mal de Israel. 

Quando houver moça virgem, desposada com algum homem, e um homem a achar na cidade e se deitar com ela, então, trareis ambos à porta daquela cidade e os apedrejareis com pedras, até que morram; a moça, porquanto não gritou na cidade, e o homem, porquanto humilhou a mulher do seu próximo; assim, tirarás o mal do meio de ti. 

E, se algum homem, no campo, achar uma moça desposada, e o homem a forçar, e se deitar com ela, então, morrerá só o homem que se deitou com ela; porém à moça não farás nada; a moça não tem culpa de morte; porque, como o homem que se levanta contra o seu próximo e lhe tira a vida, assim é este negócio. Pois a achou no campo; a moça desposada gritou, e não houve quem a livrasse.

Mas não estamos livres de tais leis e tais punições por causa de Jesus? Irmãos, esse não é de o ponto do discurso. O ponto é que Deus odeia estas coisas, e que a preocupação de Deus era em parte pela integridade de Israel como nação. Quando seduzir trabalhamos para destruir a nossa igreja e nossa país.

A palavra teonomia pode ser muito perturbadora e distraidora. Mas não deixe que seja. Eu nem mesmo me chamaria de teonomista; não quero que você se considere teonomista. O que eu quero é que você pense sobre isso: Ó cristão, não te parece justo que a lei dada a Israel na nossa antigüidade deve, no mínimo, ensinar o Israel de hoje (ou seja, nós, os cristãos) como enxergar a realidade? Deixemos que as escrituras de Deus sejam as nossas lentes à justiça e ao pecado.

Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras. Fala disto, e exorta, e repreende com toda a autoridade. Ninguém te despreze.

Tito 2:11-15

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